Benchmarking no escritório de advocacia: 5 motivos para colocar em prática!

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Tempo de leitura: 3 Minutos

Por Camilla Pinheiro*

Benchmarking é uma expressão consolidada pelo mundo dos negócios. Surgiu na década de 70, para identificar o processo desenvolvido por uma empresa ao observar as práticas de gestão de outras organizações, a fim de implementar mudanças internas e melhorar a performance.

Mas, como sugere o título, o objetivo deste artigo é mostrar como fazer benchmarking na prática entre escritórios de advocacia. Por essa razão, peço licença aos leitores para conversarmos de maneira menos formal, sem apego aos termos jurídicos ou mesmo expressões do mundo dos negócios. 

Em uma palavra, benchmarking significa para mim: inspiração.

Empresas ou profissionais só se tornam referência, quando determinam um importante objetivo – evolução e melhoria constante. O mesmo vale para advogados e escritórios de advocacia que desejam se destacar.

E para que o trabalho de evolução constante ocorra é preciso que estejamos sempre conectados com pessoas que estão um passo à frente de nós, observando seus comportamentos e atitudes e entendendo sua visão de mundo.

Por isso o processo de benchmarking é tão importante para alavancar nosso crescimento profissional e consolidar nossos escritórios.

É claro que todos nós, desde o início do curso de Direito, ou talvez até antes disso, já temos nossas referências e portfólio de profissionais que admiramos. 

Todavia, o convite para o benchmarking na prática é sair da admiração distante e partir para uma aproximação real com essas pessoas que são nossas referências.

Afinal, essa conexão mais próxima é a chave para compreendermos as motivações, histórias de vida, desafios e propósitos que estão por trás da fachada do sucesso e replicarmos isso em nossos escritórios e nossas carreiras.

E como criar essa aproximação? Vamos às dicas!

Dica 1: REFLETIR

Uma das primeiras perguntas a serem feitas para início de um processo de benchmarking na prática é: quem te inspira?

A primeira dica é, portanto, refletir sobre que tipo de postura, comportamento e posicionamento profissional você admira e identificar as pessoas que se enquadram nesse perfil e com as quais você pode fazer benchmarking. 

Dica 2: ESTUDAR

Admirar por admirar, copiar por copiar não são práticas suficientes para provocar mudanças sólidas em nossas carreiras e nossos escritórios. 

Para implementar esse processo de benchmarking de forma a obter resultados efetivos, é preciso destrinchar e compreender a fundo. 

Qual é a história que está por trás do profissional que admiramos? O que o move? Quais desafios tiveram que enfrentar? Por que determinado escritório consegue crescer rápido? Como consegue manter uma rotina efetiva de marketing? Por que sua gestão é eficiente?

O caso mais famoso de benchmarking – da empresa Xerox – enfatiza justamente a necessidade de observar esta segunda dica. No fim da década de sessenta, a Xerox dominava seu mercado, quando surgiu, no Japão, a concorrente Cannon, que conseguia oferecer máquinas copiadoras tão boas quanto as da Xerox por um preço mais acessível.

Diante dessa nova realidade, a Xerox enviou uma equipe ao Japão para estudar a concorrente – desde o material utilizado até detalhes do processo produtivo das máquinas.

A equipe, inclusive, chegou a desmontar dezenas de máquinas copiadoras da Cannon para coletar o máximo de informações possíveis e fazer um estudo detalhado.

A partir desses estudos, a Xerox conseguiu traçar metas relevantes para introduzir uma série de melhorias no seu processo de produção, ficando mais competitiva e se mantendo como referência no ramo de máquinas copiadoras.

Dica 3: CONECTAR

Eu tive várias oportunidades incríveis de fazer benchmarking com profissionais e escritórios que me inspiram. 

Todas essas oportunidades surgiram de conexões genuínas com pessoas (advogados ou não) de mente aberta para a troca saudável de experiências. 

Como narrei neste artigo, que está no meu perfil do LinkedIn, o que mais me encanta em cada oportunidade de benchmarking são as conexões humanas.

Por isso, é importante compreender que o benchmarking não deve ser usado para práticas de concorrência desleal e pode muito bem proporcionar crescimento conjunto para todos os envolvidos. 

Existe, inclusive, uma expressão bem interessante para nomear esse movimento de concorrentes que se ajudam: coopetição. 

É uma relação que é, ao mesmo tempo, de cooperação e de competição e que proporciona uma complementariedade de recursos que pode alavancar o potencial de todos. 

Já pensou em coopetir?

Dica 4: PENSAR EM OPÇÕES

Pense em variedade e não em restrições ao fazer a reflexão inicial sobre possibilidades de benchmarking.

O benchmarking não precisa ser feito somente com advogados ou escritórios renomados! 

O colega da mesma turma de formatura no qual você enxerga tanto potencial; o antigo parceiro de estágio que demonstrava muita competência técnica, mas também uma admirável disposição para ajudar os outros a crescerem; o seu primeiro chefe ou o supervisor imediato no atual trabalho, que exerce a liderança com respeito e oportuniza crescimento aos liderados. 

Se há algo que capta sua atenção em um profissional, invista em conhecer melhor a trajetória dele e entender porque ele tem esse comportamento. 

Muitas vezes, esse benchmarking com alguém mais próximo tem muito mais resultado, pois a conexão tende a ser mais fácil e mais intensa.

Você também pode fazer benchmarking com empresas de ramos diversos, e não somente escritórios de advocacia. 

Trazer para o escritório práticas e visões de outros negócios fora do Direito é algo extremamente rico, contribuindo especialmente para inovar!

DICA 5: AGIR

Depois de tanto trabalho para encontrar suas inspirações e se conectar com elas, não podemos deixar que o esforço seja em vão, não é mesmo? Por isso, não se esqueça de sistematizar todas as informações que você colheu em um processo de benchmarking e desenvolver estratégias e planos de ação para melhorar sua performance

 

Drª. Camilla Pinheiro é advogada, professora, cofounder Law & Business, cofounder Goiânia Legal Hackers, engenheira jurídica, membro da Association of Legal Administrators (ALA).

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