Advocacia 4.0: 5 dicas para captação de novos clientes

Advocacia 4.0: dicas para advogados captar clientes
Tempo de leitura: 3 Minutos

Por Nadialice Francischini de Souza*

Atualmente muito se fala em Indústria 4.0, Empresas 4.0, Relações 4.0 e Advocacia 4.0Pode parecer modismo, mas não é. A expressão 4.0 está relacionada a quarta revolução industrial, também conhecida como revolução tecnológica.

Entendendo melhor as revoluções industriais

Vale lembrar que as revoluções industriais proporcionaram diversas mudanças no mundo, cada uma dentro do seu contexto:

  • A mecanização, na 1ª Revolução Industrial, com a invenção de máquinas que facilitavam e agilizavam a produção industrial; 
  • O uso da energia elétrica, pelo emprego do aço e de combustíveis fósseis como o petróleo, na 2ª Revolução Industrial; 
  • Os avanços tecnológicos da 3ª Revolução Industrial que permitiram o desenvolvimento da Internet, da Engenharia Genética e do consumo em massa. 

Já a quarta e atual Revolução Industrial acontece graças a fusão entre o mundo físico e o mundo digital em um ritmo extremamente acelerado. Na verdade, nunca visto antes, por meio do desenvolvimento de Inteligência Artificial, Biologia Sintética, Internet das Coisas, Manufaturas Aditivas, Sistemas Ciber-Físicas, dentre outras. 

A Revolução 4.0 proporciona uma atividade comercial, industrial e, até intelectual, totalmente independente do homem ou com quase nenhuma ação humana.

E como isso afeta a Advocacia?

Primeiramente, deve-se desmistificar o medo de que os advogados serão substituídos pelas máquinas. 

Não há essa hipótese, pois, ainda que a Inteligência Artificial faça parte do trabalho do advogado, como rotinas repetitivas e trabalhos mecânicos, sempre existirá a necessidade da atuação humana, do pensamento diferenciado e o olhar voltado para a solução específica e concreta do caso, da interpretação da lei e a sua aplicação ao caso concreto.

A revolução na advocacia proporcionará a universalização do conhecimento jurídico, com o fim ou a redução do argumento de autoridade. Hoje, todos têm acesso aos seus direitos na Internet, o diferencial é o que se faz com esses direitos.

O avanço tecnológico ajuda o advogado, retirando-o de tarefas burocráticas, repetitivas, deixando-o com mais tempo para advogar e gerenciar o seu negócio.

Mas a empatia do advogado e a busca por outras soluções que não se pautem no judiciário, dando celeridade à solução dos problemas se torna o grande diferencial dos novos profissionais.

Como devo me comportar nesse ambiente para ter sucesso na captação de clientes?

Nesse novo cenário, há a necessidade de que os advogados mudem de postura e de atuação. Afinal, o cliente também mudou e está mais tecnológico, pesquisa e se informa antes de mesmo de ir ao advogado.

Então, para conquistar esse cliente, para atrair ele para dentro do escritório é necessário uma mudança na forma de advogar.

Pensando nisso, aqui vão 5 dicas para ter sucesso nesse ambiente de inovações e captar clientes.

  • A tecnologia é aliada, não inimiga

Encarar a tecnologia como inimiga é a pior coisa que se pode fazer. Os sistemas são aliados e instrumentos de trabalho. 

Deve-se usar as tecnologias como meios de ganhar tempo e de poupar serviço, principalmente aqueles repetitivos. Se a Inteligência Artificial pode fazer, por que o advogado vai fazer manualmente? 

Um dos exemplos é a busca por jurisprudência. Qual a postura dos tribunais ou de um órgão especificamente sobre determinado tema?

Antes o advogado fazia isso manualmente. Ou seja, buscava uma a uma, bem como os julgados e catalogava. Bem, já existem softwares que fazem isso, como o Data Lawyer Manager, por exemplo. 

  • Fazer marketing digital

As redes sociais, e-mails e grupos de divulgação pelo WhatsApp são formas de divulgar o seu trabalho.

A advocacia não é mais como antigamente, na qual para se alugar um imóvel, colocava-se uma placa na frente e ficava aguardando o cliente entrar. 

Hoje, o cliente quer referências, quer saber quem é o advogado antes de entrar no escritório. Para isso, ele vai fazer pesquisas e descobrir tudo sobre determinado advogado, antes de contratá-lo.

Nesse sentido, usar ferramentas de marketing digital ajudará o advogado a criar a imagem certa para o cliente certo.

  • Atuação de resultado 

O cliente quer saber se vai ganhar ou perder, ou pelo menos quais as probabilidades de um ou outro acontecer.

A jurimetria, estatística aplicada ao Direito, permite que o advogado trace a estratégia correta para o caso em que vai atuar.

O conhecimento dos números, da duração média de um processo e de como os juízes estão decidindo, da probabilidade de êxito, de acordo e a média de condenações cria uma advocacia mais às claras e menos no escuro. Com isso, é possível fazer análises preditivas do resultado final.

  • Atuar como empreendedor

Não basta mais saber o conteúdo jurídico. O advogado deve entender de tecnologia, de marketing, de administração e de economia. Também precisa entender de forma global sobre o seu negócio.

Nesse sentido, questões como precificação se destacam. 

Não cabe mais cobrar de acordo com a vontade do advogado ou da sua necessidade em pagar as contas ao final do mês. Deve-se ter um parâmetro.

Ademais, um escritório bem organizado gera mais produtividade, mais economia, assegurando competitividade na atuação jurídica.

  • Ficar atento às novas oportunidades no mercado 

O mercado está saturado de advogados. Em agosto de 2019, atingiu-se a métrica de 1 milhão de advogados no Brasil. Por óbvio, áreas tradicionais como a trabalhista, família e sucessões e a previdenciária estão saturadas.

Fazer o mesmo que todo mundo leva tempo para se tornar conhecido e se consagrar como o melhor. Mudar a forma de atuação em busca de novas demandas é a melhor opção. 

Um bom exemplo é a atuação no Direito Digital, justamente com os problemas que surgem das novas relações jurídicas.

Com certeza, com essas 5 dicas o advogado irá se destacar no mercado de trabalho, sairá à frente dos demais e assim captará mais clientes no cenário da Advocacia 4.0.

Acreditar que a Advocacia 4.0 é um modismo, que passará e voltaremos ao uso do papel e dos protocolos físicos é contra a realidade posta. Quem se manter com esse pensamento perderá espaço e, certamente, deixará de atrair clientes.

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Advogada, Doutora em Relações Sociais e Novos Direitos pela Universidade Federal da Bahia - UFBA. Mestre em Direito Privado e Econômico pela Universidade Federal da Bahia - Faculdade de Direito, e Pós-Graduada em Direito Empresarial, pela Universidade Federal da Bahia. Docente na Pós-Graduação do Cejas, na Graduação do Centro Universitário Jorge Amado e na Uninassau - Universidade Maurício de Nassau.

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