Direito do futuro: habilidades e tendências para 2020

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Até pouco tempo atrás, os advogados encontravam muita burocracia para o exercício da atividade legal, afinal, as tecnologias disponibilizadas ainda eram consideradas atrasadas em relação a outros setores. Hoje, isso não é mais realidade e nós já podemos pensar em um Direito do futuro.

Segundo especialistas e pesquisas de mercado, o próximo ano para o mercado jurídico será de muitas oportunidades. Dentre as principais tendências da advocacia para 2020, há algumas que estão sendo aprimoradas há tempos e outras que prometem modificar a relação entre advogados e clientes; gestores e colaboradores e entre o escritório e o mercado.

Apontar, certeiramente, quais serão as tendências de inovação e tecnologia no Direito para o futuro é algo delicado. Afinal, de que inovação e tecnologia estamos falando? A qual profissional do Direito estamos nos referindo? E como será esse futuro?”, afirmou o Dr. Victor Cabral Fonseca em entrevista para o Valor.

A maior e melhor tendência é, justamente, se preparar para diferentes futuros.

“Falamos muito nas tecnologias e transformações que estão por vir, é o momento de falar como nós podemos nos preparar para protagonizar o futuro do Direito”, reforça Drª Camilla Pinheiro.

Então, como se preparar para 2020, entender as mudanças e melhorar o que já está em andamento? É o que vamos mostrar neste post, continue a leitura e garanta muito mais sucesso no ano que está por vir!

Direito do futuro: um panorama atual e as oportunidades do mercado

Com cerca de mais de 100 milhões de processos correntes no Brasil, é possível imaginar o volume de trabalho nos departamentos jurídicos e escritórios.

Os números do Direito no Brasil podem, ainda, ser bem impactantes:

Portanto, é necessário criar um novo modelo de trabalho para suprir as inúmeras atividades de processos em tramitação, para que o advogado ganhe em produtividade.

Para ajudar nessa jornada, confira dicas, tendências, dados e muito mais do que chamamos de “Direito do futuro”:

Sem colaboração, é impossível construir um futuro no Direito

A pesquisa global da Deloitte “Tendências Globais de Capital Humano 2019” entrevistou mais de 10 mil líderes de negócios de 119 países. O estudo mostrou que construir ou aprimorar o condicionamento de equipes em uma visão humana pode gerar relacionamentos de trabalho produtivos.

Se 2019 marcou o crescimento dos trabalhos colaborativos, em 2020 essa tendência tende a se tornar mais forte e diversificada.

É necessário entender como diferentes profissionais podem complementar o trabalho do advogado, para além do escritório de advocacia ou departamento jurídico. O levantamento citado acima ainda destaca que 80% dos participantes concordam que a diversificação é um caminho a ser trilhado.

Além disso, é sempre necessário relembrar que tecnologia dialoga com Direito e com a humanização. Ou seja, a transformação digital existe, porém máquinas não desenvolvem inteligência emocional, não têm pensamento crítico e certamente não possuem a habilidade de improvisar diante de imprevistos.

A humanização mesclada com a colaboração é, sem dúvidas, um ponto a se dar atenção em 2020.

Millennials: a geração do mercado de trabalho

Falar do Direito do futuro é lembrar do fenômeno geracional que está acontecendo no mercado.

Um recente estudo da ASTD Workforce Development revela que dos 1.348 pesquisados, um em cada três (35,39%) admite que sua companhia gasta pelo menos cinco horas de trabalho por semana tentando resolver conflitos entre gerações.

Isso representa cerca de 12% de perda de produtividade por semana.

No Brasil, os millennials, também conhecidos como a “Geração Y”, já compõem a maior parte da população brasileira, segundo dados da pesquisa Millennials realizada por um banco de investimentos.

Por isso, talvez seja tão difícil para esta geração trabalhar em ambientes analógicos. Eles já nasceram inseridos na tecnologia e passam todo o seu tempo conectados de alguma maneira. E isso pode ser usado totalmente a favor das organizações.

Um escritório de advocacia preocupado em reter talentos da geração millennials melhora suas operações, resolve problemas com estratégias e possue um mindset voltado 100% para a tecnologia.

Eles querem criar impacto mais do que qualquer outra geração. Por isso, minimizar o conflito de gerações faz com que a diversidade seja o grande motor de inovação de grandes empresas e escritórios.

Se até 2030 essa geração deve ocupar 70% dos postos de trabalho, lidar com a diversificação de gerações em seu escritório é, com certeza, uma tendência que veio para ficar!

A sua expertise é o maior diferencial do que qualquer máquina

Mesmo com a grande ascensão da tecnologia, o fator humano ainda é o que diferencia os profissionais.

Uma pesquisa da OAB Goiás apontou que conhecimento jurídico é a base para qualquer advogado do mercado. Isso quer dizer que, todos possuem as mesmas habilidades, e o que os diferenciam são as habilidades socioemocionais e a capacidade de enxergar possibilidades a partir dos erros.

Em seguida, aparecem outras habilidades que diferenciam ainda mais os profissionais e criam suas próprias expertises, como: conhecimento em tecnologia, habilidades de comunicação e gestão, conhecimento em marketing e muitas outras mais.

Mas por que isso é tão importante e tende a ser uma tendência desejada nos profissionais do Direito no futuro? Por que, é por meio dessas habilidades que o advogado consegue se colocar no lugar do cliente e pensar no problema dele com empatia.

Com a tendência cada vez maior de automatizar atividades e eliminar o fator humano dos processos, a discussão sobre a importância que as pessoas assumem na organização acaba ganhando destaque.

Um estudo confirma que dentre as 5 profissões com menor risco de substituição por robôs, advogados e juristas ocupam a 4ª posição, ficando atrás apenas dos médicos veterinários.

Ou seja, unindo tecnologia ao fator humano, o seu escritório tende a garantir muito mais produtividade e menos tempo gasto com atividades corriqueiras!

Novas oportunidades, novas áreas de atuação e novos profissionais

Se no Brasil há um advogado para cada 190 habitantes, a tendência é que esses profissionais busquem maneiras de se diferenciar em um mercado bastante saturado.

Para isso, estão surgindo novas áreas de atuação e profissionais que se reinventam na sua área.

Nesse cenário, ter o conhecimento jurídico apenas, pode não ser o bastante. Os profissionais do Direito precisam investir em aquisição de repertório amplo e variado, sobretudo relacionados às habilidades humanas, tecnologia e inovação.

Vamos conhecer as profissões jurídico-tecnológicas já existentes que prometem oportunidades variadas para os profissionais de Direito?

Marketing jurídico e Legal copywriting

Conhecido como “Legal Copywriting”, esse é um termo ainda pouco conhecido na área jurídica. Em resumo, esse é o profissional de Direito que, utilizando de todo o seu conhecimento, para criar textos e matérias voltadas para o mercado a fim de iniciar uma comunicação personalizada.

Um bom exemplo disso é o trabalho do Dr. Guilherme Araújo. Formado em Direito, encontrou no marketing jurídico e na produção de conteúdo para a advocacia, uma oportunidade de compartilhar seus aprendizados:

“Quando estava na universidade, participei de eventos e workshops de inovação e, então, percebi que o Direito sofreria grandes mudanças nos próximos anos. Por esse motivo, além da graduação, comecei a estudar sobre outras áreas, como: tecnologia, Inteligência Artificial, marketing e vendas.”

Perguntamos a ele se houve indagações de terceiros por não atuar diretamente em sua área de formação:

“No início dessa nova carreira, muita gente perguntava se havia deixado o Direito, entretanto, ao contrário disso, continuo totalmente inserido no meio jurídico, porém, com estratégias diferentes de atuação, fora das áreas consultivas ou contenciosas”, pontua Guilherme

Ele complementa ainda que, hoje, não trabalha apenas para conquistar clientes por meio do marketing “mas para levar relevante informação jurídica às pessoas e, com isso, evitar ou resolver problemas jurídicos dessas pessoas”.

DPO (Data Protection Officer) ou Gestor de privacidade

Com a nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrando em vigor em agosto de 2020 no Brasil, há uma demanda alta para a criação de uma cultura de proteção de dados.

Será necessário que as empresas contratem um profissional específico para cuidar dos dados. O DPO (Data Protection Officer) será o profissional encarregado de tratar dados, realizar auditorias e conscientizar a equipe.

Drª. Camilla Pinheiro, especialista em Direito Digital, pretende atuar como DPO e comenta sobre a importância desse profissional nos próximos anos:

“Não sabemos como será a advocacia no futuro, por isso, vejo a necessidade do advogado em aumentar o seu reportório e estar preparado para diversas possibilidades. A profissão de DPO vem, justamente, para a demanda que está surgindo com a LGPD. Cabe ao profissional abraçar as oportunidades e se especializar”, reforça.

Analista de dados jurídicos

O Big Data, ou seja, a análise de enormes quantidades de dados, entrou no mundo jurídico com força total no último ano.

O trabalho do analista é, justamente, utilizar os dados judiciais e informações de casos semelhantes, por exemplo, em sistemas de aprendizado de máquina e de inteligência artificial para ajudar a prever os resultados de questões jurídicas.

A criação de uma estatística aplicada ao direito, a Jurimetria, é um exemplo de como as análises jurídicas podem ser mais simples e em como o advogado consegue identificar padrões e atacar a causa raiz dos conflitos com maiores chances de sucesso.

A Jurimetria pode ser aplicada, por exemplo, no tempo de duração de um processo ou em um marco processual; na propensão de um réu aceitar um valor proposto em audiência ou na decisão que será proferida por determinado juiz.

O profissional jurídico com habilidades de análise de dados, que tenha conhecimento de propriedade intelectual e industrial das ferramentas, possui grandes oportunidades pela frente com o altíssimo nível de informações reais e valiosas sobre processos.

Empreendedor em Lawtechs (Startups Jurídicas)

As crescentes mudanças no mundo jurídico têm gerado muitas oportunidades para os profissionais que desejam criar e empreender por meio de Lawtechs, empresas inovadoras que investem em tecnologia (startups) para solucionar algum problema ligado ao universo jurídico.

Nesse contexto, inclusive, é que o crescimento em Lawtechs no ano de 2018 foi de incríveis 718%. Essas empresas oferecem serviços baseados em ferramentas que aplicam inteligência artificial, machine learning, análise de dados e algoritmos para tornar o trabalho mais rápido e eficiente.

Para Marina Feferbaum, professora de Direito da FGV, os advogados só tem a ganhar com esse movimento. “As funções como são hoje vão mudar, vamos deixar de fazer tarefas repetitivas para nos dedicarmos às funções intelectuais do Direito, e sempre vão surgir novas questões que exigem a inteligência humana”, disse em entrevista para o Projeto Draft.

O que podemos, então, esperar para 2020?

Como foi visto, é necessário que o profissional do Direito abrace o futuro e construa a sua melhor versão profissional, sem ficar preso em tendências fixas, mas sim, se preparar para as diversas possibilidades da área.

“Quando pensamos em tendências, é como um ‘chute’, que por mais que seja bem estudado e embasado em diversas pesquisas, não deixamos de viver em um mercado com disrupções constantes”, complementa a advogada Camilla Pinheiro.

É necessário ampliar o repertório o quanto antes, porque as profissões podem não existir em algum tempo, enquanto outras são criadas diariamente. Assim como reafirma a pesquisa do IFTF, que traz números interessantes: 85% dos trabalhos que existirão em 2030 ainda não foram inventados.

Isso significa que, os trabalhos como você conhece agora, apenas 15% deles permanecerão ativos.

O Direito do Futuro já está acontecendo, como você está se preparando? Fique atento às “tendências”, mas não esqueça do maior diferencial que um profissional pode ter: a sua expertise!

(Software Jurídico)

Juntamos experiência e inovação. Somos mais do que uma plataforma de Gestão Jurídica, somos um hub de tecnologia. Acreditamos em uma advocacia orientada a dados.

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