Hackeando a lei: dicas para aliar Tecnologia e Direito

Camilla-Pinheiro
Tempo de leitura: 2 Minutos

Por Camilla Pinheiro*

Quando falamos do futuro do Direito, não tem como não pensarmos também em tecnologia. Os avanços tecnológicos têm provocado transformações em todos os setores, e no ecossistema jurídico não é exceção. Nós, advogados, precisamos nos reinventar agora e nos adaptarmos a essa realidade!

Mas isso nós já sabemos, não é mesmo? A necessidade de adaptação do profissional do Direito a esse mundo high-tech é, sem dúvidas, um dos temas mais quentes do ano.

No entanto, o que precisamos refletir é que a adaptação passiva, ou seja, simplesmente acompanhar a entrada de tendências tecnológicas na nossa atividade, já não é suficiente.

Para quem deseja se destacar nesse novo mercado, é essencial sair na frente e se dispor a liderar o futuro do Direito. Não só aceitando, e sim protagonizando as transformações e criando novos espaços de intersecção entre Direito e Tecnologia!

Como alinhar Tecnologia + Direito?

Se você deseja protagonizar esse futuro, eu tenho uma notícia que pode animar você: não estamos sozinhos nessa empreitada!

Em 2012, no Brooklyn (NY), um grupo de estudantes, instigado por seu professor Jonathan Askin, procurou responder a uma pergunta incômoda: como advogados podem alavancar as ferramentas e ética aberta e colaborativa da comunidade de tecnologia para antecipar e resolver problemas jurídicos?

Para responder a essa pergunta, eles realizaram um hackathon jurídico – uma jornada criativa em que grupos de estudantes se mobilizaram para criar soluções tecnológicas para o Direito e para as políticas públicas.

Assim nasceu o Legal Hackers, uma comunidade de visionários organizada para “quebrar o sistema jurídico”, enxergando nos problemas engessados da lei, uma oportunidade para criar soluções e provocar inovação de fora para dentro do sistema.

O propósito dessa comunidade em NY reverberou. Rapidamente os Legal Hackers começaram a se espalhar pelos Estados Unidos e pelo mundo! Hoje, existem mais de 160 capítulos do Legal Hackers em cinco continentes, nos quais a comunidade de voluntários – tecnólogos, designers, advogados, estudantes, empreendedores, engenheiros e outros – se reúnem para movimentar o ecossistema local e incentivar a Tecnologia aplicada ao Direito.

Em 29 de outubro de 2019, Goiânia entrou para o mapa global dessa comunidade, com o lançamento do capítulo Goiânia Legal Hackers, do qual sou uma das fundadoras!

E é com base nessa e em outras experiências profissionais, que trago para vocês hoje três dicas de ouro para aliar Direito e Tecnologia e começar agora mesmo a protagonizar o Direito do futuro.

1. Espírito colaborativo

A comunidade de tecnologia apresenta naturalmente um espírito colaborativo que é essencial para encontrar soluções melhores e mais rápidas.

Já nós do Direito, temos mais dificuldades em ser colaborativos. Isso em razão do padrão mental que construímos ao longo da formação jurídica, repleta de resquícios de um tradicionalismo que já não tem espaço no mundo moderno.

Para aliar Direito e Tecnologia, nós vamos precisar da colaboração uns dos outros e também de profissionais de outras áreas em um trabalho conjunto!

2. Abertura ao novo

É impossível, simplesmente, fechar os olhos – e a mente – para as transformações que as ferramentas tecnológicas têm trazido para nosso ambiente e a forma como trabalhamos.

A verdade é que não podemos nos dar ao luxo de tratar softwares de gestão, ferramentas de peticionamento automático, de CRM, mídias digitais e jurimetria com ceticismo ou distanciamento.

É necessário ter a disposição para receber essas ferramentas no escritório e incluí-las, ainda que aos poucos, na própria rotina.

3. Disposição para aprender, desaprender e reaprender

Como na famosa frase do futurista Alvin Toffler! Afinal, os avanços tecnológicos não têm impacto somente sobre a rotina do advogado. Eles também têm o condão de transformar radicalmente dinâmicas sociais consolidadas ao longo de séculos, fazendo surgir uma nova sociedade.

E uma nova sociedade exige um novo Direito, que se interconecta com outros conhecimentos para trazer soluções efetivas às demandas sociais e que vai exigir também profissionais repaginados.

Precisamos desapegar da engessada estrutura curricular na qual formamos nossa base de conhecimentos jurídicos, para entender de negócios digitais, regulamentação da inovação e da inteligência artificial, limites da liberdade de expressão na internet, cyberbullying, provas processuais eletrônicas, crimes cibernéticos e mais uma lista interminável de outros temas!

O que pude concluir estando inserida no Direito do futuro?

Ser protagonista do futuro, aliando Direito e tecnologia é desafiador! Exige de nós a capacidade de desconstrução em vários aspectos.

Falo por experiência própria: há dois anos, jamais imaginaria que eu teria vontade ou disposição para buscar um estudo mais aprofundado sobre tecnologia, área do conhecimento da qual sempre mantive um certo distanciamento.

Mas quando se está aberto ao fluxo das mudanças, nos conectamos com mais facilidade com os meios e pessoas ideais que vão apoiar o caminho sem volta da transformação digital.

E o Goiânia Legal Hackers, bem como toda a comunidade de legal hackers do mundo, pode, a partir de agora, ser também seu ponto de apoio e de turbinada na carreira. Afinal, somos exploradores dessa realidade conjunta de Direito e Tecnologia e somos também executores de práticas que alavancam a transformação Digital no Direito.

*Camilla Pinheiro é sócia do Gomes, Oliveira & Pinheiro, idealizadora do Law Business Game, membro da ALA, coordenadora do núcleo de inovação e gestão do Instituto de Estudos Avançados em Direito e co-fundadora do Goiânia Legal Hackers. Contato: Instagram: @goianialegalhackers; Telegram: https://t.me/gynlegalhackers; Site: https://legalhackers.org/.

Drª. Camilla Pinheiro é advogada, professora, cofounder Law & Business, cofounder Goiânia Legal Hackers, engenheira jurídica, membro da Association of Legal Administrators (ALA).

4 Gostei
0 Não gostei

Deixe uma resposta

Preencha os campos obrigatórios para enviar o comentário. (marcados com *)

quinze − 6 =