Manifesto ágil: como posso aplicar no cenário jurídico?

Manifesto Ágil
Tempo de leitura: 3 Minutos

Por Amanda Machado

O momento de transformação no mundo do trabalho que vivemos hoje está muito relacionado ao Manifesto Ágil e suas metodologias de desenvolvimento. Afinal, o que é e como colocá-lo em prática no dia a dia da advocacia?

As atividades a serem feitas pelo advogado semanalmente não são poucas. Dentre as mais relevantes, podemos citar:

  • Elaborar pareceres;
  • Peças processuais;
  • Definir estratégias para os casos;
  •  Ir à audiências; 
  • Acompanhar perícias, protocolos e publicações; 
  • Despachar processos com o juiz;
  • Manter-se atualizado sobre as alterações legislativas e de jurisprudências;
  • Acompanhar o dinamismo dos negócios dos clientes. 

Como realizar todas essas atividades de forma eficaz e produtiva?

A gestão baseada na cultura ágil mostra-se uma excelente resposta. Mas afinal de contas o que é a cultura ágil ou como também é conhecido, o Agile? 

Em um primeiro momento, somos levados a pensar que trata-se de algo relacionado a rapidez e velocidade. Porém, não há uma relação direta com esses conceitos. 

A agilidade está ligada a ter uma capacidade de se adaptar às mudanças, de forma a transformar isso em um diferencial competitivo e alavancar benefícios aos seus clientes. Sendo assim, uma excelente abordagem em um ambiente de incertezas. 

Por falar em  incertezas, nós advogados convivemos com elas diariamente, não é mesmo? É por isso que o tema é tão pertinente ao cenário jurídico.

Por que vale a pena investir no Manifesto Ágil?

O Agile nasceu na área de Tecnologia para o desenvolvimento de software. O objetivo dele é atender um cenário em que, os projetos levam um longo período de planejamento e levantamento de funcionalidades, com a participação do cliente somente na fase inicial. 

Consequentemente, há uma demora para desenvolvimento e entrega. Isso, muitas vezes, leva a empresa a construir um software apenas para seguir uma receita. Ao final, na entrega, o produto não faz mais sentido para o cliente em razão da demora.

O dinamismo do mercado fez com que o cenário mudasse, já que as necessidades eram outras. Por isso, aquilo que havia sido definido lá atrás, já não fazia mais sentido ou não trazia mais valor ao cliente. 

Nesse contexto, nos anos 2000, os profissionais de TI que atuavam com práticas ágeis, criaram o Manifesto Ágil, que por meio do Business Agility vem sendo aplicado em diversas áreas de negócio. Claro, com o Jurídico não seria diferente. 

O manifesto possui 4 importantes valores essenciais para o desenvolvimento de software,  que podemos adotar para a nossa realidade dentro da gestão jurídica: 

1- Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

A colaboração e interação entre as pessoas da organização são principais pilares da agilidade. Precisamos entender que, a prestação de serviço jurídico é uma atividade humana.

Por isso, a boa qualidade da interação entre os colaboradores, assim como com os clientes, podem resolver grandes problemas de comunicação. Vale lembrar que processos internos e ferramentas são importantes, mas precisam ser simples e úteis. 

Isso porque a tecnologia é muito importante, mas se não há um engajamento, se as pessoas não estão sabendo para onde estão indo juntas e a força que deixam de gerar quando não estão juntas, não há alinhamento e colaboração. 

Quando não há colaboração as pessoas trabalham de forma individualista, é necessário mais sistemas e aumento de quadro das equipes. Isso engessa fluxos de trabalho, as entregas ficam prejudicadas, assim como há um aumento de custo.

2 – Software funcionando mais que documentação abrangente

Esse valor, podemos entender como: 

“Entregar valor ao cliente, mais do que judicialização e documentação extensa”

Os nossos clientes querem resultado, sendo a entrega o mais importante. Sempre será necessário fazer a petição, o parecer, o relatório, dentre outras atividades. 

Mas devemos fazê-las de forma que façam sentido e a prestação do serviço seja realizada da melhor forma, abordando pontos efetivamente relevantes e deixando a prolixidade de lado. 

Uma grande ineficiência são peças processuais extensas e prolixas. Quer algo mais sem sentido do que ir despachar com o juiz para explicar o que foi escrito na petição? E isso é feito na maior naturalidade entre  os advogados!

Outro exemplo são pareceres extensos, com excesso de juridiquês, que não vão entregar o valor esperado ao cliente, uma vez que, na maioria das vezes ele não vai compreender.

Esse valor do manifesto é extremamente interessante para fazer o link com a prestação de serviços jurídicos, pois é primordial entendermos efetivamente a dor dos nossos clientes. 

Muitas vezes, o problema pode ser resolvido com um acordo, com uma orientação de qualidade, não necessariamente precisamos judicializar a questão. 

Um serviço de qualidade, entregando resultado de valor para o seu cliente, e não somente o que ele pediu, é o que vai garantir o sucesso do seu serviço, pois o que o cliente deseja é a resolução do problema. 

3 – Colaboração do cliente mais que negociação de contratos

Assim como no desenvolvimento de software ou qualquer outro serviço, em que, os advogados, enquanto clientes, buscam  ser entendidos, ouvidos, participar do processo e dar sugestões. O cliente, quando procura um advogado, busca o mesmo.

Afinal, ninguém melhor do que o próprio cliente para conhecer o negócio dele. Por isso, precisamos atuar em colaboração. 

As tomadas de decisões precisam acontecer em conjunto e com trabalho em time. É papel do advogado fazer que todos sejam um só em busca de um objetivo, atuando em conjunto com o cliente e não apenas em uma relação de um contra o outro.

4 – Resposta às modificações mais que seguir um plano

O cenário jurídico assim como outras áreas é um ambiente de grandes incertezas.  

Considerando o dinamismo dos negócios dos clientes, as alterações legislativas e atualizações jurisprudenciais, bem como as tecnologias que estão crescendo de forma exponencial com as lawtechs, não podemos nos apoiar em planejamentos enormes e cheios de premissas.  

O planejamento estratégico do escritório, por exemplo, que antes era feito considerando um longo período. Agora deve considerar um tempo bem menor, estamos vivendo em  uma realidade de incerteza em que se tornou muito difícil prever cenários como fazíamos tempos atrás. 

A grande busca do Agile é a eficácia, sendo a eficiência um pressuposto para alcançá-la. A eficácia é fazer a coisa certa, e eficiência é fazer do jeito certo, assim a cultura ágil busca sempre a melhoria contínua.

O que significa dizer que os processos, fluxos internos, planejamentos nunca estarão perfeitos. Sempre estarão buscando a melhoria, se adequando as mudanças que venham a ocorrer. 

Nesse contexto, é válido trazer um dos ensinamentos de Peter Drucker, considerado pai da administração: 

“Não há nada tão inútil quanto fazer com eficiência aquilo que não deve ser feito”  

Ou seja, de que adianta executar as suas estratégias e atividades de uma maneira “perfeita”, se elas não vão gerar resultados em seu escritório e agregar valor para os seus clientes?

O escritório e o Manifesto Ágil

A pergunta que pode surgir agora é: “será que realmente o meu escritório precisa ser ágil? Será que isso é necessário? Agimos da mesma forma há anos e sempre deu certo. Por que preciso do Agile? Por que preciso começar a levar cultura ágil para cada uma das partes do meu escritório?”.

Para isso, pode-se pensar: o dinamismo do mercado de forma rápida é algo bom ou ruim para o meu escritório? 

Se há uma resistência às mudanças, se as inovações que estão surgindo com as lawtechs, e as inovações nas prestações de serviço jurídicos com novos modelos, não estão sendo compreendidas e abraçadas pelo meu escritório, significa que ele não tem agilidade.  

O que achou do tema Manifesto Ágil? Gostou do conteúdo? Temos outros materiais relevantes no nosso site como o webinar: Design Thinking Para Advogados. Clique aqui para acessar!

 

Amanda Machado é Advogada, possui MBA em Business Agility e Gestão de Projetos Ágeis pela FIAP - Faculdade de Informática e Administração Paulista. Kanban System Design (KMP I) - Knowledge21.

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