Guia completo: planejamento financeiro empresarial para a advocacia

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Fazer o planejamento financeiro empresarial de um escritório de advocacia de forma assertiva não é uma tarefa fácil. Seja um escritório novo no mercado ou aquele que já possui algum tempo de atividade, é preciso ficar atento à alguns pontos.

O advogado lida com leis, questões jurídicas, processos e outras muitas atividades. Tratar de todos esses assuntos, unificado com a administração, gestão do escritório e a sua gestão financeira, por vezes, pode complicar a rotina.

No blog post de hoje você vai saber como fazer isso da melhor forma, aprendendo ainda sobre distribuição de lucros, indicadores financeiros e muito mais! Continue a leitura e confira.

Como fazer um planejamento financeiro empresarial assertivo na advocacia?

É inviável que um escritório de advocacia se sustente sem uma gestão financeira, afinal, estamos falando de custos, gastos, ganhos e perdas.

Fazendo bem o planejamento financeiro empresarial, o advogado consegue evitar dívidas; saber qual é a hora correta de investir em software mais completo, identificando se um software gratuito é mesmo a melhor opção e ainda atende às suas necessidades; e pode tomar decisões que evitem maiores problemas no futuro.

Separamos, então, as melhores dicas para o seu planejamento ser eficiente e de sucesso. Vamos lá?

Saiba sobre o seu fluxo de caixa

Você sabe quanto o seu escritório gasta por mês ou o quanto de recursos entra a cada mês e qual porcentagem de crescimento isso oferece para a empresa?

São inúmeros gastos, desde os com o administrativo do seu escritório, até a remuneração dos colaboradores. Muitos advogados não têm ideia dos custos fixos e variáveis, por exemplo.

Custos fixos: são aqueles que não sofrem alteração de valor em caso de aumento ou diminuição da aquisição de clientes. Por exemplo: salários dos colaboradores, aluguel do escritório, tarifas fixas de telefonia, internet ou água, entre outros..

Eles não se alteram em decorrência aquisição de clientes, mas podem variar por conta de outros fatores, como o aumento do aluguel ou do serviço de internet.

Custos variáveis: sofrem variações com as alterações no desenvolvimento das atividades e dos serviços prestados pelo escritório. Eles englobam custos com investimentos em livros, material do escritório, bonificação, percentual de comissão etc. Esses estão diretamente relacionados com o volume dos serviços realizados.

Sem entender quais são os seus custos, o escritório perde o controle do seu planejamento e se vê no vermelho ao final de cada mês.

Obs.: todos os lançamentos do escritório devem ser especificados, até mesmo aqueles que estão atrasados ou ainda não aconteceram.

Faça a distribuição de lucros e ganhos

Esse é um ponto delicado e depende de muitos fatores. Então se atente: não basta ganhar dinheiro na advocacia, é preciso ter controle da distribuição dos lucros.

Nessa etapa leve em consideração o faturamento do escritório, calculando os descontos dos gastos e custos no período analisado. Agora que você já sabe quais são os custos fixos e variáveis, saber sobre o lucro é muito mais fácil.

Mensurar o lucro do seu escritório de advocacia através do cálculo das margens é fundamental, as duas principais são: margem de lucro bruta e margem de lucro líquido:

Margem de lucro bruta

O lucro bruto de um escritório de advocacia pode ser medido através da subtração das receitas totais, menos os custos variáveis.

Ela se refere a um valor percentual (por isso multiplicamos por 100), calculado a partir da relação entre o lucro bruto e a receita total, veja a fórmula:

Margem de lucro líquido

O cálculo leva em consideração todo o financeiro do escritório, permitindo identificar se está gerando lucros ou prejuízos.

Esse cálculo leva em consideração os custos relativos e os custos fixos. Para isso, primeiramente, é necessário determinar sua receita total em um certo período de tempo e em seguida subtrair as despesas operacionais.

Por estar relacionada com a receita total, é possível avaliar o lucro a partir do valor cobrado pelos serviços oferecidos. Assim, é usada a seguinte fórmula:

Aposte em indicadores financeiros

A falta de conhecimento das principais métricas e indicadores que influenciam no planejamento financeiro empresarial do seu escritório, faz com que o advogado precifique mal seus serviços e não consiga avaliar o que está saindo conforme o pretendido.

Indicadores e métricas vão muito além do que planilhas e números, confira as principais para se medir quando o assunto é o financeiro do seu escritório:

Índice de cancelamento

O cancelamento faz parte da rotina de um escritório de advocacia, não podemos negar. Porém, apesar de não ser um índice bom para o financeiro, é preciso ser medido para evitar problemas futuros.

Para fazê-lo você precisa fazer um recorte periódico, como um bimestre, por exemplo. Em seguida o seguinte cálculo:

Após isso, é preciso um acompanhamento a cada período de tempo delimitado.

Índice de inadimplência

Para calcular o índice de inadimplência também é preciso fazer um recorte de tempo, após basta subtrair o valor inadimplente de todo o faturamento obtido. Assim, a próxima fórmula é:

Por exemplo, se o seu escritório faturou R$100.000 em 6 meses, mas só recebeu R$80.000 deve-se realizar a seguinte equação:

Assim:

Lembrando que o índice de inadimplência é diferente de cancelamento de faturamento, o segundo caso o cliente desistiu dos seus serviços e o segundo ele não efetuou todo o pagamento.

Faturamento através de honorários

Medir os honorários recebidos anualmente é uma ótima forma de avaliar o desempenho do faturamento.

Esse indicador demonstra se o faturamento do honorário é condizente com o que foi esperado, se está abaixo, na média ou acima. Caso esteja abaixo, é preciso considerar contratar mais colaboradores para maiores prospecções ou aumentar o valor cobrado pelas atividades.

Tenha um fundo de reserva para emergências

Tenha em mente a necessidade de um fundo de caixa reserva. Essa é a melhor alternativa para lidar com situações emergenciais que demandem recursos financeiros.

Independente do tipo de gestão: empresarial ou pessoal, é preciso ter uma reserva para eventuais gastos inesperados.

O valor que os sócios decidirem dispor para esse fundo deve ser aplicado em um investimento seguro, contando que seja de alta liquidez. Deve ser realizado dessa maneira para que haja rendimentos e o dinheiro não fique apenas “parado”.

A dica é que para bancar a receita desse fundo seja reservado um percentual dos honorários e receitas recebidos pelo escritório. Dessa maneira, nenhum dos sócios saem prejudicados. Para o planejamento financeiro empresarial o fundo de emergência é uma excelente escolha.

Organize os seus investimentos

Não poderíamos fazer um guia sobre planejamento financeiro sem falar dos investimentos que, inevitavelmente, a sua empresa faz.

Lidar com a modernização acontecerá cedo ou tarde. Investimento em novos equipamentos, softwares, concentração de novos advogados ou terceirização de alguma atividade, demandam investimentos.

Nem sempre os investimentos demonstrar retornos de imediato, mas sim a longo prazo, por isso, é natural não sentir segurança em investir.

Investir recursos da própria sociedade não é a melhor opção pois compromete o capital de giro e pode desencadear maiores problemas no futuro.

O melhor a se fazer é investir apenas quando se tem certeza de que será uma boa escolha e que seja investido recursos separados apenas para tais ações, por isso, o indicado é sempre testar antes e conhecer planos que se encaixem na sua gestão financeira!

Conclusão

Através deste guia, buscamos oferecer um bom planejamento financeiro empresarial para o seu escritório de advocacia, com os principais pontos para se atentar. Vamos recapitular?

Primeiramente, é preciso saber sobre o seu fluxo de caixa, os gastos, os ganhos, tudo o que entra e sai do seu escritório. Para isso, é preciso entender de custo fixo e variável. Já para os ganhos, o correto é realizar o cálculo de margem de lucro bruta e líquida.

Para te ajudar ainda mais, mostramos os principais indicadores financeiros para o seu escritório de advocacia:

  • Índice de cancelamento;
  • Índice de inadimplência;
  • Faturamento através de honorários.

Você também entendeu a importância de ter um fundo emergencial para possíveis gastos não esperados e, é claro, aprendeu a organizar os seus investimento, vendo que você pode realizá-los, basta organização!

Ter noções básicas do planejamento financeiro empresarial do seu escritório de advocacia permite mais controle do negócio e mais dados para tomadas de decisões assertivas, visando o melhor para o seu negócio.

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